Introdução à narrativa

Narrando conflitos

capa

ATIVIDADES PROPOSTAS PARA ESTE EXPERIMENTO

  1. Observar modos como imagem e texto são combinados em capas de revista e fotografias jornalísticas, construindo narrativas;
  2. Estudar o conceito de fato jornalístico e observar que recursos da linguagem o jornalismo usa para apresentar um fato (lide, depoimentos, imagens, infografia);
  3. Analisar o enquadramento de texto jornalístico sobre os 10 anos dos ataques ao World Trade Center para identificar as representações que o autor criou dos americanos e dos árabes;
  4. Remixar uma charge que une o quadro “O grito” de Munch e o prédio do World Trade Center em chamas, substituindo o cenário de Nova York por uma cena de devastação no Oriente Médio, a fim de mudar a argumentação;
  5. Estudar fundamentos da linguagem da fotografia a partir da observação de fotos históricas de guerras;
  6. Estudar a construção de personagens, a estrutura e o tempo na narrativa e as sequências textuais visuais de uma propaganda;
  7. Estudar o conceito de ensaio fotográfico, observando ensaios;
  8. Produzir um ensaio fotográfico sobre o tema “Conflito ao meu redor” e publicar as fotos com legendas no Flickr, descrevendo as técnicas usadas e a intenção expressiva.

 

MATERIAIS USADOS

Apresentação do professor aqui

Material do aluno aqui

Propaganda Coca-cola aqui

Trecho do documentário Estamira aqui

Reportagem da revista Isto É aqui

Vídeo da CNN sobre o rebelde chinês aqui

Página do fotógrafo Stuart Franklin aqui

Aplicativo Scketch Pad aqui

Aplicativo Flickr aqui

 

BREVE RELATO DA NOSSA EXPERIÊNCIA

O experimento partiu do planejamento inicial da professora para primeiro bimestre do 10 ano do Ensino Médio, que tinha como objetivo fornecer uma introdução à narrativa. O material didático básico era o livro, que tratava dos seguintes componentes curriculares:

Língua e linguagens; Sequências textuais (descrição, diálogo, explicação, narração e argumentação); Gêneros textuais (reportagem e ficção – conto); Estrutura narrativa; Personagens; Tempo; Sequência; Ritmo. O ponto de partida era uma reportagem sobre os 10 anos do ataque às torres do World Trade Center nos Estados Unidos, publicada pela revista  “Isto É”, complementada por uma charge. O plano inicial foi então revisto e expandido, integrando três conceitos-chave  da mídia-educação: linguagem, instituições e representação.

As aproximações e especificidades entre ensino de linguagem e mídia-educação começaram a ficar claras já neste primeiro experimento. Tome-se o exemplo da leitura do texto jornalístico sobre os 10 anos do ataque ao World Trade Center, reproduzida no livro didático. Enquanto as atividades do livro de Português se detêm na interpretação dos recursos de linguagem empregados em um texto singular (analisando as sequências textuais da reportagem da revista, por exemplo), a mídia-educação prioriza leituras comparativas (como revistas com linhas editorias diferentes representam o mesmo assunto, e que elementos da linguagem usam para articular seu ponto de vista). Reportagens devem ser estudas à luz do emprego de técnicas profissionais de edição do texto: que aspectos são destacados no título, qual a perspectiva apresentada no lide, quem são as fontes que mereceram mais destaque e quais fontes foram negligenciadas. Essa análise colhe evidências para sintetizar um ponto de vista: como você leitor, avalia a qualidade desse texto?

A mesma comparação pode ser feita em relação aos textos visuais. Assim, por exemplo, o livro reproduziu uma charge de Jugoslav Vlahovic que substitui o cenário de fundo do quadro “O Grito” de Edvard Munch pelo cenário do World Trade Center em chamas, e propôs um exercício no qual os alunos deveriam usar o texto verbal para explicar quais são as diferenças entre pintura e desenho. Trazidos para a mídia-educação, esses dois textos foram estudados na perspectiva da representação: ao fazer o remix da pintura usando a linguagem da charge mudando o cenário, qual foi o ponto de vista que o autor quis expressar? Os alunos foram então convidados a experimentar com a charge, do mesmo modo como o chargista experimentou com o texto: tirando o fundo do desenho e substituindo pelo cenário de um outro conflito sobre o qual quisessem emitir uma opinião. Essa atividade poderia ser feita com lápis sobre papel ou posteriormente, com o aplicativo Scketchpad.

Mantendo a mesma proposta de usar conteúdos do livro, mas ajustando os exercícios à abordagem da mídia-educação, foi produzido um material impresso complementar com 15 páginas, composto por nove atividades. Os alunos trabalhavam com o livro e com o material complementar ao mesmo tempo, e acompanhavam a condução da professora, que usava uma apresentação visual. Para  a versão disponibilizada neste site, tiramos o conteúdo específico do livro didático.

Além das atividades com a reportagem e a charge, os alunos também “desmontaram” o layout de capas de revistas sobre conflitos internacionais e, nesse exercício, aprenderam a separar denotação e conotação, refletiram sobre a dinâmica da combinação de elementos das linguagens verbal e não verbal e a influência dessa dinâmica na negociação de sentidos.

Depois de ganharem alguma experiência com procedimentos analíticos, os alunos receberam instrução pontual sobre linguagem da fotografia, através de uma apresentação visual que reunia imagens de conflitos, da Primeira Guerra Mundial até a invasão do Iraque pelas forças aliadas aos Estados Unidos. Nessa apresentação, eles eram convidados a atentar para as técnicas fotográficas usadas, as conotações que as técnicas criavam e a identificar locais, épocas e personagens das imagens. Essa análise longitudinal e comparativa trouxe à tona as diversas representações associadas aos atores sociais de guerras históricas (Aliados X Eixo, americanos X vietnamitas, ocidente X oriente), dependendo do endereço social do fotógrafo.

A atividade seguinte teve como objetivo fornecer uma síntese do que foi analisado até então (tempo e espaço na narrativa, funções dos personagens, conotação e denotação), estudando um filme publicitário de xampu que narra a história de uma menina acima do peso que precisa se superar para se tornar bailarina. Ela se esforça, enfrenta a inveja de rivais e, ao ser escolhida como bailaria principal em um teste, comemora soltando os cabelos longos e sedosos. A tarefa era identificar as pistas visuais que indicavam local e passagem de tempo, antagonistas e protagonistas, valores subjacentes e que signos representavam esses valores.

A última atividade partiu do conhecimento construído sobre narrativa e introduziu o gênero ensaio fotográfico. Os alunos foram então convidados a produzir um ensaio aplicando as técnicas fotográficas e os elementos da narrativa que aprenderam para desenvolver o tema “Conflito ao meu redor” e publicá-lo no site Flickr. Infelizmente, somente três alunos fizeram essa tarefa e uma delas imitou o ensaio estudado: ao invés de investigar conflitos através da fotografia, a aluna publicou fotos do seu gato!

Vistas em conjunto, as atividades exercitaram as habilidades de comunicar e representar (na releitura da charge, no estudo do filme publicitário e na produção do ensaio fotográfico), investigar e compreender (no estudo do enquadramento jornalístico e da linguagem fotográfica) e contextualizar social e historicamente (no estudo longitudinal das variações nas representações fotográficas sobre guerras históricas).

 

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