Realismo

Na Real: o realismo na literatura e na mídia

CAPA

ATIVIDADES PROPOSTAS PARA ESTE EXPERIMENTO

  1. Comparar as representações visuais da população de baixa renda em “O Cortiço” (Aluisio de Azevedo), usando um trecho do livro, uma sequência da adaptação para histórias em quadrinhos e na sequência de abertura do filme “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles e Kátia Lund), atentando para características dos personagens, diálogos, cenários e objetos em cena. Comparar as características marcantes dessa análise com aquela feita dos textos românticos;
  2. Usando uma apresentação dialogada sobre o contexto histórico e características marcantes do Realismo como expressão estética, examinar trechos do filme “Cidade de Deus” e identificar os elementos da linguagem que criam Representações realistas. Tecer hipóteses sobre como aqueles mesmos trechos poderiam ser representados usando elementos da estética romântica;
  3. Criar diálogos para cenas retiradas da adaptação de “O Cortiço” para histórias em quadrinhos e do filme “Cidade de Deus”, de modo que sejam feitas crítica social e análise clínica do comportamento das pessoas, duas características importantes do Realismo;
  4. Estudar a linguagem da HQ, a partir da leitura de “O Cortiço” em quadrinhos (roteiro/estrutura narrativa; funções dos personagens; enquadramentos da cena, metáforas icônicas, balões e texto), usando uma apresentação dialogada;
  5. Exercitar contraste entre modos de expressão romântica e realista produzindo histórias em quadrinhos digitais no aplicativo Strip Generator;
  6. Explorar o uso de expressões formais e informações na linguagem verbal, reescrevendo diálogos retirados do filme “Cidade de Deus”;
  7. Estudar o conceito de remix, explorar fundamentos da narrativa clássica, conhecer técnicas de produção de scripts de rádio e fazer um remix da literatura em radionovela: recriar uma cena de briga entre duas personagens de “O Cortiço”, usando elementos típicos da linguagem do rádio (narração, efeitos, trilha, diálogos e paisagem sonora).

MATERIAIS USADOS

Apresentação do professor aqui.

Material do aluno aqui.

Livro “O Cortiço” aqui.

“O Cortiço” em quadrinhos aqui.

Abertura do filme “Cidade de Deus” aqui.

Vídeo “Linguagem da HQ” aqui.

Aplicativo “Strip Generator” aqui.

Radionovela “O direito de nascer” aqui.

Episódios da rádio novela “Verdades Inventadas” aqui.

 

BREVE RELATO DA NOSSA EXPERIÊNCIA

As representações românticas da realidade (estudadas no experimento 1) foram confrontadas com sua estética complementar: o Realismo. A porta de entrada foi a adaptação para histórias em quadrinhos de um clássico da literatura brasileira chamado “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo (1857-1913). A narrativa se desenvolve em uma precária aglomeração urbana no Rio de Janeiro, e que mais tarde resultaria nas favelas. Por esse motivo, HQ e livro original são estudados em comparação com trechos do filme “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, narração localizada na versão contemporânea do cortiço, na mesma cidade do Rio de Janeiro. Esses três textos foram então “desmontados”, para que se trouxesse à tona semelhanças e diferenças entre cenários, personagens e elementos da linguagem usados nos três casos para representar o tema da exclusão social.

Os recursos usados foram uma cópia da história em quadrinhos, um material impresso com 40 páginas, o DVD do filme e uma apresentação para a professora, com as mesmas imagens do material dos alunos, acompanhadas das perguntas que deveriam ser feitas para guiar as análises.

As gírias usadas por personagens semelhantes, porém distantes em quase um século, introduziram o estudo da formalidade na língua. Usando uma seleção de frames retirados do filme e requadros da HQ, os alunos foram convidados a criar diálogos com “pegada realista”, mesmo nas cenas mais românticas, usando a norma culta da língua, quando convinha ao personagem. Quando não convinha, deveriam usar a linguagem informal e explicar para o grupo que desvios da norma culta propositalmente usaram e porquê.

A atividade seguinte teve caráter metalinguístico e focou o estudo da linguagem das histórias em quadrinhos. Usando a versão gráfica de “O Cortiço” e frames de “Cidade de Deus”, os estudantes fizeram exercícios de reconstrução do roteiro, das relações entre personagens, identificando protagonistas, antagonistas e coadjuvantes. A turma também aprendeu a observar os tipos de enquadramento visual e o uso de metáforas icônicas. Os exercícios tiveram como suporte o material impresso e um vídeo de bolso sobre a linguagem da HQ[1].

A próxima sequência trazia atividades de escrita, que foram feitas com o auxílio do aplicativo Strip Generator. Foram propostos cinco desafios: 1. criar uma história curta na qual dois personagens conversam sobre algum tema social (violência, intolerância, desigualdade) e o analisam como se fosse dois biólogos observando o comportamento, a exemplo do que fez o autor de “O Cortiço”; 2. Sem usar palavras, mas tentando empregar todos os recursos da linguagem da HQ estudados, recriar um trecho do livro “O Cortiço” que descrevia a rotina medíocre de um personagem coadjuvante; 3. Criar tirinhas curtas em que um personagem fale de um sentimento ou situação com inspiração romântica mas, ao mesmo, pense naquele tema com inspiração realista. Os alunos eram encorajados a passar os olhos em trechos de obras das duas escolas para se familiarizar com palavras e estéticas; 4. Criar uma sequência em que um personagem começa a sentir medo, até esse medo virar pavor, porém sem usar textos em balões; 5. Reescrever diálogos retirados do filme “Cidade de Deus” usando a linguagem mais formal que fossem capazes de empregar e criar um personagem para atribuir essas falas formais.

Na última atividade, os alunos estudaram elementos básicos da linguagem radiofônica (narração e diálogos, efeitos e trilha sonora, paisagens sonoras), observando radionovelas antigas e contemporâneas. Depois, leram um trecho do livro “O Cortiço”, no qual duas mulheres, Rita Baiana e Piedade, brigam por causa de Jerônimo, esposo de Piedade e amante de Rita. Usando o que aprenderam sobre a radionovela, foram convidados a redigir, gravar e editar um remix da cena, no qual deveriam manter os três personagens, mas poderiam alterar o contexto e o desfecho da briga.

Vistas em conjunto, as atividades incorporaram aspectos do contexto histórico e social que sustentou as expressões do Romantismo e do Realismo, transitaram entre as linguagens verbal e não verbal visual e sonora, exploraram a metalinguagem dos quadrinhos e da ficção radiofônica, apresentaram artistas e obras canônicas e alternativas e trataram da norma culta da língua, apresentando desafios de uso, sem impor padrões de como falar ou escrever.

[1] Disponível em https://youtu.be/WS2xp6wTUh0

 

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